Quase 40% dos usuários desse tipo de drogas vivem na China, Rússia e Estados Unidos. Em alguns países de renda média e baixa, mais de 40% dos usuários de drogas injetáveis são soropositivos.
O estudo, realizado pelo Grupo de Referência da ONU sobre o HIV e o consumo de drogas injetáveis, revisou aproximadamente 11 mil documentos publicados, como relatórios governamentais e não-governamentais, bem como consultas com especialistas em HIV do mundo todo. O grupo de especialistas fornece consultoria técnica independente para as agências especializadas da ONU que trabalham com temas como uso de drogas injetáveis e HIV, entre elas o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Aids (UNAIDS).
O relatório lança um alerta de que a real extensão do problema do HIV relacionado ao uso de drogas injetáveis ainda é desconhecida: "os dados que existem hoje estão longe de ser suficientes, em qualidade e quantidade, considerando, sobretudo, a crescente importância do consumo de drogas injetáveis como meio de transmissão do vírus do HIV em muitas regiões". Os países que estão em risco muitas vezes não relatam o problema - por exemplo alguns na África e no Oriente Médio. Na Ásia, há pouca avaliação do impacto na propagação do HIV de uma crescente epidemia de metanfetamina. Por isso, o Grupo Referência fez um chamado para que seja reforçada a capacidade técnica dos países para monitorar a questão.
Os especialistas também fizeram um apelo para que as atividades de prevenção ao HIV dêem mais cobertura às populações que usam drogas injetáveis, como programas que reduzam os riscos do compartilhamento de agulhas e seringas, o tratamento de substituição por opióides (como metadona) e mais tratamento e cuidados àqueles que vivem com HIV. "Criar um ambiente favorável para prover serviços a quem vive com HIV continua sendo um grande desafio para governos e sociedade civil em muitos países", disse o Coordenador Global de HIV/Aids do UNODC, Christian Kroll.