Desvios nas contas do Estado com funcionários inexistentes ou com mais de um salário serão detectados por novo software, diz secretaria
Um novo sistema contra fraudes no pagamento dos salários de funcionários públicos pode trazer uma economia de até R$ 400 milhões por ano ao Estado do Rio de Janeiro, prevê o governo. O projeto, que deve começar a funcionar em 2010, quer reunir mais dados de cada funcionário e usar um software mais ágil para a fiscalização de fraudes.
O sistema de recursos humanos do Estado tem mais de 30 anos e é suscetível a desvios, diz o Secretário de Planejamento e Gestão, Sergio Ruy Barbosa. As falhas, acrescenta, resultam em funcionários recebendo mais de um salário e até outros que não existem, mas são pagos.
Qualquer mudança, promoção ou contratação é registrada em softwares pelos próprios servidores e por gestores de recursos humanos. Entretanto, hoje não é possível identificar quem fez os registros e nem comprovar o mérito de promoções por aumento de nível educacional (quando alguém conclui o mestrado e pode passar a ganhar mais, por exemplo), o que permite as fraudes. No novo sistema, para que um funcionário passe a receber um salário maior, por exemplo, o superior terá de aprovar usando suas impressões digitais. Para Barbosa, isso facilitará a fiscalização.
"Gastamos quase R$ 14 bilhões por ano com folha de pagamento, cortar uma parte que seja disso que tem relação com desvio, imagina o quanto isso representa", afirma. O total inclui servidores ativos, aposentados e pensionistas, que somam mais de 468 mil no Estado. Segundo Barbosa, um levantamento que vai apontar todos as possíveis fraudes ainda está em processo, e estão sendo feitas auditorias nas folhas de pagamento.
Somado ao custo de uma empresa de consultoria que a Secretaria contratou para realizar as mudanças, o novo plano de recursos humanos vai custar R$ 16,5 milhões. O processo é parte de uma série de projetos na área de gestão que o governo do Rio de Janeiro realiza em parceria com oPNAGE (Programa Nacional de Apoio à Modernização da Gestão e do Planejamento dos Estados Brasileiros e do Distrito Federal), apoiado pelo PNUD.
Além do corte de custos, o novo sistema prevê criação de cursos de capacitação e treinamento. "Com um cadastro pessoal de melhor qualidade, teremos mais informação sobre a vida acadêmica do servidor e vamos poder formular políticas adequadas de educação continuada", conclui o Secretário.
DAYANNE SOUSA
da PrimaPagina