Artigo

O trabalho no centro da transição justa

Publicado em: 08/05/2026

Por Miriam Armelin – Gerente de Projetos na Synergia Consultoria Socioambiental

Nas diferentes realidades sociais, é pelo trabalho que as pessoas contribuem e são reconhecidas pelo coletivo. O significado do trabalho tem a ver com a fartura na mesa, com o acesso à saúde e educação e, ao mesmo tempo, é a infraestrutura invisível da cooperação humana. A dinâmica do trabalho influencia a própria realização do ser humano, na medida em que impacta seu tempo de ser e estar. A complexidade desse tema reúne perspectivas e interesses diversos que moldam nossas famílias, cidades e políticas públicas.

Um exemplo é a tensão que estamos vivendo no entorno das discussões da jornada 6×1. Esse modelo é uma tentativa anacrônica de compensar lacunas na produtividade econômica por meio da extensão quantitativa do esforço. Em vez de priorizar o incremento tecnológico, a inovação de processos ou a qualificação — vetores reais de valor —, nosso modelo econômico frequentemente busca o equilíbrio financeiro na intensificação da disponibilidade do trabalhador. Sob essa lógica, a ‘baixa produtividade’ deixa de ser um desafio de gestão para se tornar uma fatura paga com o tempo de vida.

​Tantos indicadores econômicos e socioambientais refletem situações percebidas na pele por trabalhadores e trabalhadoras. E é exatamente aqui que a pauta do desenvolvimento sustentável encontra seu maior desafio e sua maior oportunidade.

​A atenção global com as mudanças climáticas nos direciona para a necessidade de adotar novas relações sociais e novas soluções. Na COP 30, em Belém, uma mensagem ecoou com clareza: a transição energética não pode ser reduzida à substituição de fontes fósseis por renováveis. A ideia é que, para além de trocar a tecnologia, é necessário transformar o modelo social. Nesse processo, o trabalho ocupa papel central nas discussões e na construção da mudança. Essa pauta está se desdobrando nas discussões entre os países, no processo de construção do mapa do caminho para a Transição Justa, em que evoluiremos de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma economia de baixo carbono, de forma equitativa e inclusiva.

​A verdadeira Transição Justa trabalha com a garantia de direitos e, fundamentalmente, a participação direta de trabalhadores e trabalhadoras nas instâncias de decisão. O mundo se prepara ou já vive a realidade dos “empregos verdes” e nessa hora precisamos ser vigilantes: o trabalho deve ser ambientalmente sustentável e humanamente digno, com salários, jornadas e segurança adequados. Para evitar que a inovação se torne um vetor de exclusão, os processos de aprimoramento e requalificação tornam-se importantes para proteger o profissional da obsolescência e garantir competitividade em pé de igualdade.

A atuação da Synergia na transição justa

​Conectada a essas transformações, a Synergia Socioambiental atua na linha de frente desse novo paradigma. Entendemos que o desenvolvimento territorial não se impõe de cima para baixo; ele floresce quando a comunidade é a protagonista da construção de suas próprias soluções.

​Nossa metodologia busca romper a segregação de olhares e partição de interesses, ao propor integrar de forma orgânica trabalhadores e trabalhadoras, ​setor privado, poder público, ​sociedade civil organizada e instituições de ensino e pesquisa. Ambientes de diálogo e construção coletiva possibilitam processos coletivos mediados. O conhecimento técnico se une à criatividade local e se converte em caminho onde conseguimos imprimir agilidade e confiança. Buscamos o fortalecimento do tecido social, a partir da inteligência, dos saberes e do potencial do território e da sua conexão com o que está acontecendo no mundo.

​O horizonte que desenhamos para o desenvolvimento sustentável exige dois movimentos inadiáveis: proteção social inclusiva, com mecanismos que viabilizem o acesso a direitos e a segurança de quem move a economia; o incentivo de cadeias de valor que promovam economias regenerativas, como são exemplos a bioeconomia e a economia do cuidado, garantindo que a riqueza e os empregos gerados permaneçam e circulem dentro das comunidades locais.

​O trabalho é o pulso que dá ritmo à sociedade. Na Synergia, empenhamos nosso olhar e técnica para construir o presente e cuidar do futuro, onde o pulsar do trabalho deve ser vibrante, justo e sustentável.

8 – Trabalho decente e crescimento econômico

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