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Mês da Pessoa Indígena – conheça algumas das pessoas indígenas que são destaque na atualidade

Publicado em: 27/04/2021

O mês de abril traz uma das datas mais importantes para a luta das pessoas indígenas[1] por reconhecimento e direitos. Para a Synergia, o trabalho com os povos indígenas Arara, Kararaô e Xipaya Kuruaya, realizado desde 2019 na região do Médio Xingu, contribuiu para gerar um maior entendimento sobre a realidade e as dificuldades enfrentadas por eles. Colaborou, também, para uma intensa troca de conhecimentos, que fazem das questões enfrentadas pelas pessoas indígenas um dos temas de grande relevância para a empresa.

Por isso, preparamos uma matéria bem completa, abordando dois temas de destaque, que remetem ao passado e ao futuro das pessoas indígenas: a mudança de visão sobre o incorreto “Dia do Índio” e as pessoas indígenas que estão construindo novas narrativas, se mostrando de grande importância na defesa das causas e na elaboração do modo como querem (ou não) ser vistas para a geração atual e para as próximas. Confira!

Mas e o Dia do Índio?

Você sabe o que é o Dia da Pessoa Indígena ou Dia da Diversidade Indígena? Não, a data não é nova. Ela era popularmente conhecida como o Dia do Índio, resumindo toda a pluralidade étnica e uma enorme variedade de culturas e idiomas a uma só palavra: índio.

Mas a mudança de nomenclatura veio, e representa um grande avanço na tratativa com as questões relacionadas aos povos indígenas, sejam eles os brasileiros ou não, já que diversos países adotaram a alteração. É importante lembrar que a luta para cessar o processo histórico de apagamento dos povos indígenas se mantém em diversos âmbitos e mesmo em países diferentes.

Um exemplo disso vem ocorrendo há alguns anos nos Estados Unidos: a alteração do feriado que outrora fazia homenagem a um dos colonizadores responsáveis pela morte de milhões de indígenas, o Dia de Colombo, 12 de outubro. Após décadas de manifestação contrária ao feriado, e a tudo o que representa a colonização para os povos indígenas americanos, o Dia de Colombo foi substituído pelo Dia dos Povos Indígenas ou Dia do Nativo Americano.

Embora a mudança não tenha sido em todos os estados – alguns optaram por não extinguir a homenagem a Colombo, mas mantiveram as duas datas no calendário, enquanto outros, ainda estudam a modificação – garantir o Dia dos Povos Indígenas foi uma luta pelo reconhecimento das histórias que foram deixadas de fora da narrativa nacional americana.

Mudança e representatividade

Aqui começa a nossa conversa sobre a importância da representatividade. Só a partir dela é possível abrir caminhos para que outras pessoas, que se encontram na mesma condição, possam ocupar espaços e diminuir injustiças sociais. E este é exatamente o caso das pessoas indígenas no Brasil.

Durante muito tempo, os povos indígenas não tiveram voz ou representatividade. Estamos falando de um longo processo de apagamento e preconceito, aliado à falta de medidas de inclusão social e proteção, que só recentemente começaram a ser  aplicadas, como cotas raciais para indígenas nas universidades (2012) e direitos previdenciários (1991).

Até mesmo o direito a uma Educação Escolar Indígena apropriada, intercultural e multilíngue é recente, proposto na Constituição de 1988 e aprimorado na legislação nacional que fundamenta a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996.

Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, documento no qual reconhece os direitos fundamentais universais, assim como as diferentes realidades e necessidades indígenas.

Somente em 2008, o estudo da história e cultura indígena passou a ser obrigatório no ensino fundamental e médio das escolas brasileiras. Porém, sem uma orientação assertiva do Ministério da Educação, a temática indígena nem sempre foi representada de maneira correta.

Todo esse caminho histórico nos leva de volta ao início, ao errôneo Dia do Índio, que na maioria das vezes, representava a pessoa indígena como um selvagem, nu ou coberto de penas e folhas, vivendo em ocas no meio da mata. Além disso, a ideia reforçava a representação estereotipada e racista de símbolos indígenas durante o carnaval.

Mas você deve estar se perguntando: como passamos do Dia do Índio para o Dia da Pessoa Indígena e o que toda essa história tem a ver com isso?

É simples. Conforme as pessoas indígenas foram sendo incluídas na sociedade, com respeito e sem que houvesse a obrigatoriedade de enquadramento nos padrões educacionais, culturais e comportamentais dos povos brancos, elas puderam conquistar o seu lugar de fala e representatividade, ocupando espaços nas mais diversas áreas e abrindo o caminho para que outras pessoas indígenas pudessem ter os seus trabalhos valorizados, suas características únicas e seus direitos respeitados. Essas pessoas são as responsáveis pela mudança de representação das pessoas indígenas que vêm ocorrendo.

E, embora saibamos que ainda há uma longa estrada a ser percorrida para que indígenas possam realmente conquistar a equidade, a mudança do Dia do Índio para o Dia da Pessoa Indígena ou Dia da Diversidade Indígena, já pode ser vista como uma vitória para os indígenas que consideravam a nomenclatura anterior da data como preconceituosa e minimizadora de toda uma extensão cultural e étnica.

Destaques em diversas áreas da atualidade – ícones de representatividade indígena

A mudança de percepção sobre a pessoa indígena e o desmonte de ideias preconceituosas só estão ocorrendo porque cada vez mais indígenas conseguem ocupar espaços e demonstrar os valores, as causas e a importância da equidade. Assim, elas trazem para a discussão as questões mais importantes dos seus povos e demonstram a força da luta, assim como a constante necessidade de políticas públicas de inclusão.

Conheça algumas das pessoas indígenas que estão mudando o cenário e se destacando na atualidade:

Daniel Munduruku (Povo Mundukuru)

Destaque indígena: Daniel Munduruku
Foto: Arte Lunetas

Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Mundukuru tem mais de 54 livros publicados no Brasil e no exterior. Já recebeu prêmio nacionais e internacionais, incluindo o renomado Prêmio Jabuti. Sua obra é composta principalmente de literatura infanto-juvenil e livros paradidáticos.

Cacique Raoni Metuktire (Povo Kayapó)

Destaque indígena: Daniel Munduruku
Foto: Laycer Tomaz

Um dos líderes indígenas mais conhecidos do Brasil, o cacique é respeitado por defender a Amazônia e os povos indígenas da floresta. Em 2020, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

Werá Jequaka Mirim – Kunumi MC (Povo Guarani Mbyá)

Destaque indígena: Kunumi MC
Foto: Reprodução YouTube

O cantor de rap traz em suas letras as palavras de protesto contra o desmatamento, a agressão aos povos indígenas e o pedido de respeito às pessoas indígenas e suas culturas e idiomas.

Katú Mirim (Povo Boe Bororo)

Destaque indígena: Katú Mirim
Foto: IMS

A rapper e líder ativista, além de reforçar a imagem do indígena urbano, é a responsável pela campanha #ÍndioNãoÉFantasia, que denunciou o racismo nas fantasias usadas durante o carnaval.

Myrian Krexu (Povo Guarani Mbyá)      

Destaque indígena: Myriam Krexu 
Foto: Bruna Kamaroski

Uma das primeiras médicas indígenas a se formar no Brasil, em 2013, Myrian é a primeira cirurgiã cardiovascular indígena do país.

Denilson Baniwa (Povo Baniwa)

Denilson Baniwa: destaque indígena
Foto: Adrian Ikematsu

Artista visual e um dos coordenadores da Rádio Yandê, voltada à propagação da cultura indígena fora das aldeias. Já recebeu prêmios como o Pipa Online e teve exposição individual no Centro Cultural Hélio Oiticica.

Ailton Krenak (Povo Krenak)

Destaque indígena: Ailton Krenak
Foto: Wikimedia

Líder indígena, ambientalista, pesquisador e escritor, Krenak tem se destacado na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente. Sua literatura segue a mesma linha, e tem recebido elogios dos principais críticos literários brasileiros da atualidade. Em 2020, foi eleito o intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores.

Sonia Guajajara (Araribóia)

Destaque indígena: Sonia Guajajara
Foto: Fedrico Zuvire

Principal liderança indígena feminina no Brasil, Sônia é coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e foi a primeira pessoa indígena a concorrer para o Governo Federal, em 2018, como vice-presidente na chapa do candidato Guilherme Boulos (PSOL).

 

[1] A Synergia opta pelo uso da linguagem inclusiva e não sexista em todas as suas formas de comunicação, tanto para colaboradores e colaboradoras quanto para o público externo. Por isso, a escolha pela utilização da expressão “pessoa indígena”, ao invés da generalização “os indígenas“.

 

*O Dia da Pessoa Indígena faz parte da série de ações anuais que realizamos para abordar temas de grande importância para a sociedade, e que são determinantes para a diminuição de desigualdades, como a Campanha do Mês da Consciência Negra, a Campanha do Mês da Mulher Synergia e o Mês dos Povos Indígenas, entre outras. Este texto é a versão reduzida do que foi veiculado internamente, para nossos colaboradores e colaboradoras.*

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